05 janeiro 2012

NINGUÉM É DE NINGUÉM



Esta idéia de que temos uma alma gémea a ser encontrada, uma pessoa que nos vai completar e nos tornar inteiros faz sentido, é verdade!

No entanto, sinto que existem alguns detalhes a serem esclarecidos sobre este assunto...

Muitas pessoas passam a vida a acreditar que enquanto não encontrarem essa tal metade, não podem ser inteiramente felizes, completamente realizadas ou que sua existência jamais fará pleno sentido.

Isso não é exatamente uma verdade. O facto é que amar é um privilégio e uma oportunidade maravilhosa de nos tornarmos pessoas mais evoluídas e satisfeitas.

Mas somos seres absolutamente completos. Nascemos dotados de todas as ferramentas que precisamos para sermos felizes, independentemente de com quem estamos, onde e quando estamos...A felicidade é uma escolha pessoal, um dom que desabrocha de dentro de cada um, um exercício diário, uma busca que se faz só.

Viemos ao mundo para uma missão que só pode ser realizada por nós mesmos e por isso nascemos únicos, singulares e individuais.

As pessoas com quem nos relacionamos, as que escolhemos para amar são nossas companheiras de jornada, são presentes e facilitadores que Deus nos enviou para tornar a nossa caminhada mais leve e prazerosa.

Mas não são, nunca, de forma alguma, a nossa felicidade, a nossa realização, a essência de nossa vida.

Percebo que, muitas vezes, entorpecidos por um sentimento genuíno de amor, confundimos o que somos com o que o outro é. Atribuímos a nossa felicidade e a nossa razão de existir ao outro e perdemos a referência de nosso real valor.

Assim, passamos a acreditar que sem o outro não poderíamos nos sentir tão bem, que sem o outro toda a beleza e toda a alegria estariam perdidas, como se tudo de bom (e de menos bom também) não existisse – antes de em qualquer outro lugar – dentro de nós mesmos!

É isso: tudo o que somos, sentimos e vemos, tudo o que entendemos como mundo é reflexo do que temos dentro da gente.

Assim, se somos felizes ao lado de alguém que amamos é porque nos tornamos capazes de sentir felicidade e de amar.

E se estamos tristes e insatisfeitos, também é porque estamos exercendo a nossa capacidade de sentir a tristeza e de não nos satisfazermos com o que temos.

Desta forma, creio que está mais do que na hora de compreendermos que podemos, sim, nos tornarmos melhores através do amor que trocamos com alguém, mas que não é o outro que nos faz melhores e sim nós mesmos que nos permitimos crescer e ser melhor.

Ninguém é de ninguém porque não somos coisas. Somos pessoas e pessoas são eternamente ímpares.

É o que cultivamos e alimentamos em nós que nos faz ser como somos. A única pessoa que temos e por quem realmente somos responsáveis é a gente mesmo.

Portanto, sugiro que comecem a apropriarem-se da sua felicidade como mérito vosso, assim como das vossas tristezas e insatisfações.

E a partir de então, poderam abrir mão das pessoas, desapegar-se, compreender que o amor que sente por alguém não torna esse alguém seu, mas apenas um companheiro de aprendizagem e de importantes descobertas.

E na mesma medida, poderam exercer todos os seus dons e capacidades a fim de tornar a vossa vida e a das pessoas que caminharem ao seu lado pela longa estrada da vida muito melhor, mais inteira e, sem dúvida, mais verdadeira!

Rosana Braga

4 comentários:

Susaninha disse...

Adorei....
Li , reli e adorei:)

alma-em-4-corpos disse...

muito lúcido, este texto. hei-de cá vir lê-lo quando a mim me faltar a lucidez :)
obrigada por partilhar

Paula NoGuerra disse...

Susaninha,
Vem ler sempre que quiseres!
Bjs docinhos xxxx

Paula NoGuerra disse...

Alma,
Eu gostei tanto que tive mesmo de o partilhar! Está cá TUDO!
Volta sempre.

Bjs doces xxx