11 agosto 2012

SER TRANSPARENTE



As vezes, pergunto-me porque é tão difícil ser transparente... Costumamos acreditar que ser transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros. Mas ser transparente é muito mais do que isso. É ter coragem de nos expormos, de ser frágil, de chorar, de falar o que sentimos... Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair as máscaras, baixar as armas, destruir os imensos e grossos muros que insistimos tanto em nos empenhar para levantar...

Ser transparente é permitir que toda a nossa doçura aflore, desabroche, transborde! Mas infelizmente, quase sempre, a maioria de nós decide não correr esse risco. Preferimos a dureza da razão à leveza que exporia toda a fragilidade humana.

Preferimos o nó na garganta às lágrimas que brotam do mais profundo de nosso ser... Preferimos perder-mo-nos numa busca insana por respostas imediatas a simplesmente entregar-mo-nos e admitir que não sabemos, que temos medo!

Por mais doloroso que seja ter de construir uma máscara que nos distancia cada vez mais de quem realmente somos, preferimos assim: manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção...

E assim, vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos... Não porque sejamos pessoas mentirosas, mas apenas porque nos perdemos de nós mesmos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não-contaminado...

Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro faz-nos perceber que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar... doçura, compaixão... a compreensão de que todos nós sofremos, sentimos-nos sós, imensamente tristes e choramos baixinho antes de dormir, num silêncio que nos remete a uma saudade desesperada de nós mesmos... daquilo que pulsa e grita dentro de nós, mas que não temos coragem de mostrar àqueles que mais amamos!

Porque, infelizmente, aprendemos que é melhor descontar, agredir, acusar, criticar e julgar do que  simplesmente dizer: Está-me a magoar... importas-te de parar, por favor!? Porque aprendemos que dizer isso é ser fraco, é ser burro, é ser menos do que o outro. Quando, na verdade, se agíssemos com o coração, poderíamos evitar tanta dor, tanta dor...

Sugiro que deixemos explodir toda a nossa doçura! Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo, não desejar parecer tão invencíveis...
Que consigamos não tentar controlar tanto, responder tanto, competir tanto... 
Que consigamos docemente viver... sentir...AMAR!

6 comentários:

D. disse...

Tão, mas tão verdade!
Infelizmente, também eu tenho esta falta de transparência. Não quero muitas vezes ser assim. Mas é mais forte que eu.
Protecção? Não sei! Talvez me queira evitar ao sofrer o que já passei. Mas lindo este texto.

Paula Nogueira Guerra disse...

Eu tento ser o mais transparente possivel... e sei que me dou muito mal com isso pois há quem não goste...mas sou como sou e não sei ser de outra forma!
E viva a transparência!

Um beijinho doce D.

Eros disse...

Ora nem mais... acima de tudo, que sejamos absolutamente genuínos... sempre!

Beijos

Paula Nogueira Guerra disse...

SEMPRE, Eros!

um beijinho doce xxxx

Santo&Pecador disse...

Amiga, gostei muito de te ler. Mesmo muito.
Não me deste novidade nenhuma sobre ti, pois só quem não te conhece é que não sabe que tu és assim mesmo, transparente.

Beijo!

Paula Nogueira Guerra disse...

És um querido Santo!
Nada melhor do que a transparência... vale TUDO!

Um beijo risonho xxx