29 setembro 2011

O ANJO DE BRANCO

Mais um livro que adorei e mexeu comigo... um livro que me fez rir e ao mesmo tempo deixou apreensiva sobre a capacidade humana de fazer o bem da mesma forma que faz o mal sem remorsos. Com um começo hilariante e um final forte é um livro que fala da guerra colonial, neste caso em Moçambique, e das atrocidades ali cometidas. Um romance cheio de veracidade e que reporta para o que se passou também em Angola. E como nasci em terras de África, este livro deixou-me com um sentimento de tristeza mas, ao mesmo tempo, de alegria em ver que existem pessoas dispostas a perder a "vida" para desarmar aqueles que mais poder têm. Já li quase todos os livros do José Rodrigues dos Santos e, mais uma vez, ele me surpreendeu, pela positiva claro!

Aqui deixo um excerto que amei:


"(...) "O que é o bem e o mal? Todos nós intuímos estes conceitos, mas a sua definição precisa escapa-nos. Até hoje. " Apontou para a janela. "Tive a resposta a este enigma no momento em vi o mal naquela aldeia. Vi-o impregnado nos corpos carbonizados que se espalhavam pelos escombros, vi-o quando me questionei sobre o que levaria os homens a fazerem uma coisa tão cruel. E depois deparei-me com uma criança que saiu viva e intacta de baixo do corpo queimado de uma desgraçada que os soldados quase haviam morto e percebi que há coisas que o mal, por mais que tente, não poderá conquistar. O amor daquela mãe foi mais poderoso do que o mal daqueles homens. Mas só agora, enquanto estava aqui a ouvi-lo falar, é que consegui transformar em palavras a ideia que desde então me andava a ruminar na mente". Cravou de novo os olhos penetrantes no seu interlocutor. "Sabe o que na verdade é o mal?"
Sentido-se incomodado com a intensidade daquele olhar, Aniceto Silva abanou a cabeça.
"Ó doutor, agora não", disse. "Poupe-me a essa conversa."
"É a incapacidade de nos pormos no lugar do outro. Quando os soldados matam mulheres e crianças como quem mata formigas, estão possuídos pelo mal porque não conseguem pôr-se no lugar das vítimas, não conseguem perceber a posição delas nem sentir o que elas sentem. O mal é a incapacidade de imaginar os sentimentos do outro e de os sentir como se pudéssemos ser nós." Deixou o olhar vaguear pelo gabinete, detendo-se aqui e ali. "O bem é pormo-nos no lugar do outro. E actuar em conformidade, claro." José voltou a mirar o seu poderoso interlocutor. "E é por isso, caro inspector Silva, que não posso deixar de escrever o meu relatório. Esse texto será um acto de amor e quero escrevê-lo para que as pessoas se possam pôr no lugar das vitimas. Para que os responsáveis por aquele horror se envergonhem. Para que o amor derrote o mal."

5 comentários:

S. disse...

bem é o que ando a ler.. o anterior foi o Formula de Deus e o sétimo selo.. agora vens tu aqui pôr um excerto que ainda não li... mau mau... deves querer apanhar :P
beijoca

Paula NoGuerra disse...

ooohhh lindinha... este livro é espetacular!!!!
O final é muito forte... é só o que te posso dizer!!!
Bjs doces e até sábado xxx

CGuerra disse...

O facto de ter uma opinião muito má em relação á pessoa impede-me de ler o que quer que seja dele...para alem de ser um livro muito grosso...lol

Paula NoGuerra disse...

Tens bom remédio marido: Lê-lo e mudar de opinião! Vale a pena!!!

Bjs suculentos xxx

Fê-blue bird disse...

Amiga ando para o comprar mas ainda não o fiz, mas depois de tudo o que li aqui, vou já fazê-lo.

beijinhos