02 fevereiro 2013

LESSONS IN LIFE #3



Ser pai de "filhos" que não são nossos é (na maior parte das vezes) muito complicado... eu bem sei!

A decisão de um casal em separar trás sempre consequências para todos e não apenas para o casal em si. Quando existem filhos incluidos os problemas multiplicam-se... os filhos aceitam ou (na maior parte das vezes) vivem com um peso no coração para a vida do PORQUÊ?

Não sou filha de pais separados mas os meus filhos já o são.  Acredito que, por mais que nós (pais) lhe façamos entender o porquê de uma relação ter terminado, no coração deles de inocentes haverá sempre aquela pergunta "EU NÃO SOU RAZÃO SUFICIENTE PARA VOCÊS SE MANTEREM JUNTOS?"

Uma pergunta válida, muito válida. Mas a vida dos adultos nem sempre é fácil ... E sabemos, de igual forma, que eles um dia irão entender e ter a resposta a esse porquê. Nos entretantos há que lidar com eles, até se tornarem adultos.

Eu vejo pelos meus filhos, que não sabem dar valor ao Pai que têm. E quando digo PAI falo do meu marido e nunca em tempo algum do verdadeiro pai deles. Esse nunca quis nem se preocupou com eles. É só quando lhe interessa ou (melhor falando) quando lhe dá jeito. E contra factos não há argumentos. O meu marido é um verdadeiro PAI em todos os sentidos da palavra. Não apenas para a filha dele como para os meus. 

Sei o quanto lhe custa estar aqui na Bélgica comigo e longe da filha... e como está LONGE (não apenas fisicamente) pois há quem consiga colocar mais distância entre eles, mas isso é outra história...

O quanto ele sempre se esforçou para poder dar o melhor, não apenas dele mesmo, mas para que nada nos faltasse, e mesmo assim "cospem na prato que comem". Um pouco em continuação deste POST que fiz há uns dias atrás.

Sei muito bem que o desejo de qualquer criança de pais separados é de os ver e ter novamente juntos. E como compreendo mas, a vida nem sempre corre como desejariamos... e uns conseguem resolver isso dentro deles outros nunca o conseguem.

Quero apenas com isto dizer que estou triste... já há algum tempo que não me sentia assim... mas sei que passa. Que compreendo a dor do meu marido (mais do que ele possa imaginar) e que me entristece as reacções dos meus filhos em relação a ele. Áquela pessoa que deu e dá muito mais que o verdadeiro pai deles... quem sabe um dia eles irão dar o verdadeiro valor à pessoa que realmente se preocupou e cuidou deles sem pedir nada em troca. Mas entretanto, o tempo passa... e assim como o meu marido não vê a filha dele o tempo passa e as marcas aprofundam-se mais ainda. Será depois tarde demais?

SORRY!

13 comentários:

Mariposa Colorida disse...

Um texto inquietante. Nunca vivenciei experiência idêntica. Mas tenho uma ideia contrária das crianças... a ideia de que se aproximam de quem lhes dá mais calor e mais amor e valorizam isso verdadeiramente.

Alice disse...

Este teu texto comoveu-me. De muitas formas. E o facto de reconheceres tudo isto demonstra bem o quão sensível és, Mostra também o amor que tens ao teu marido. Quando nos colocamos no lugar do outro e analisamos de outro ponto de vista estamos a amar e a procurar a solução para o outro lado de nós, que é quem amamos.

Desejo que este cenário de tristeza se altere, e que em breve todos possam reconhecer a melhor forma de serem felizes.

beijinho

Pusinko disse...

Tenho uma tia que só o é porque os meus pais e ela nutrem uma forte amizade há décadas. Eram os tios e prima, sempre os conheci assim.
Acontece que para a minha prima, o pai era o maior. Foi-o na infância e adolescência. Era irresistível, brincalhão, bem disposto e cativante para a miudagem. O divórcio (muito justificado) deles trouxe discussões e rebeldias de adolescente revoltada para com a mãe. Mãe que sempre suportou a estrutura familiar em muito mais vertentes do que ela poderiamos entender naquela altura.
O tempo encarregou-se de tirar máscaras a quem as tinha, expôs verdades que só quando crescemos ganhamos noção que sempre estiveram lá. Hoje em dia, a minha prima tem outra visão do passado e sei-a profundamente grata pela mãe que tem. Também a sei a fazer um esforço por perdoar falhas no pai e aceitá-lo como é. Foi um pai ausente. É-o e será. Mas a fortaleza que é a minha tia, está sempre lá para o que der e vier.

Nem sempre é fácil, por vezes quase insuportável gerir filhos, mas os desafios tornam-nos mais fortes. Tens uma filha adolescente e um pré-adolescente. Dá-lhes tempo e mune-te de paciência. Sem ignorar o que não gostas ou os limites ultrapassados que precisem ser chamdos à atenção, está sempre disponível e de braços abertos. é uma fase de afirmação e eles têm as suas razões para agirem assim. Fazem o melhor que sabem neste momento e um dia as peças do puzzle ganham sentido. Nesse dia e darão o devido valor ao que têm, que é uma família unida.

Sabendo o que sei de ti (que é alguma coisa, muito e nada), creio que por muita pirraça que possam fazer, nenhum deles quererá 80% do que lhes saia pela boca ou em atitudes. A provocação e desafio fazem parte de aprender a voar e testar os limites com os pais é como se aprende a testar nos outros e delimitar caminhos.


Um abraço apertado Paulinha.
E ao teu marido :)


PS: O bom filho a cas torna. Memso que nunca saia de lá.

Mamã de Peep-Toe disse...

Complicada a situação.Os miúdos no seu mundinho às vezes são cruéis. Acredito que vão crescer e ver as coisas de outra maneira. Quanto ao teu marido e à filha...ainda mais complicado...acredito que a mãe dela não facilite as coisas,num geral,é assim.Mas ele não devia desistir...ela é filha!Bjs e muita força!!

aNaMartins disse...

:( fiquei igualmente triste, não sou indiferente às tuas palavras, imagino Paula que devas estar numa situação delicada e sem grandes alternativas. só tens de dar força ao teu marido e que os teus filhos um dia percebam.

beijinho no coração e sorri Paula

Paula Nogueira Guerra disse...

Querida Mariposa,
Há crianças e crianças... e tudo depende de tantos e muitos factores. Os meus são assim e entristecesse-me imenso. Quem sabe um dia isso não mude mas até agora tem sido complicado lidar com a falta de distância que dão por aqueles que mais gostam e se preocupam com eles... muito pelo contrário até :(

É a minha vida!

Um beijo doce xxx

Paula Nogueira Guerra disse...

Linda Alice,
Sempre me soube colocar no lugar dos outros e muitos compreendo outros nem por isso. Mas faço e meu maior esforço para entender e, se possivel, ajudar.
Neste caso especifico é mais complicado pois não coloco as palavras na boca dos meus filhos nem entendo o porquê das atitudes deles... mas que a cabecinha deles está toda trocada lá isso está :(

Um beijo carinhoso xxx

Paula Nogueira Guerra disse...

Minha linda Pusinko,
pode até ser verdade o que dizes, no facto de que eles nem sempre dizem o que verdadeiramente sentem. Mas o facto é que o dizem e magoam muito. E não magoam apenas o meu marido que só os quer ver bem e felizes, mas a mim também.
Vivo um dia de cada vez mas... por mais positiva que eu seja e tentar puxar tudo e todos para cima, on facto é que tb saio magoada disso. Queroe o que mais desejo é ver o meu marido bem e feliz e nem imaginas o quanto tudo isto o entristece.

Um beijinho com um abraço apertadinho :)

Paula Nogueira Guerra disse...

Querida Mamã,
Sim essa situação do marido não é a mais normal visto o ouro lado em NADA facilita, muito pelo contrário.
Mas em tudo eu sempre acreditei que colhemos o que semeamos...
um dia de cada vez e sei bem que o meu marido faz o melhor que pode e sabe mediante o que lhe deixam.

Um beijo risonho xxx

Paula Nogueira Guerra disse...

E faço isso querida Ana... estou do lado dele 100% e ele sabe disso :)

Um abraço forte xxx

Gaja Maria disse...

Até à data nunca vivi tal situação, por isso não sei aconselhar. Mas conheço alguns casos como o teu. Os filhos ficam na maioria dos casos com as mães e o seus 2os maridos, se tiverem filhos não vivem com eles mas sim com os da nova esposa. Pergunto-me muitas vezes como fazer funcionar tal situação sem prejudicar a relação do casal e todos os filhos. Não deve ser mesmo nada fácil e sei que há imensas situações complicadas, desde ciúmes, desinteresse, distinção entre uns e outros, os que são biológicos e os outros, distâncias abismais que fazem sofrer e também sei que muitas vezes se conseguem óptimas relações entre todos. Afinal Pai ou Mãe é quem dá amor e carinho, quem cuida e protege, mas nem sempre os filhos vêem as coisas dessa forma. Há que dar tempo e penso que mais tarde ou mais cedo, eles vão crescer e entender todas essas coisas.
Vais ver Paula, tudo se vai compor. Com amor e carinho a coisa vai. Muita força e desculpa um comentário tão longo. Um abraço apertadinho :D

Paula Nogueira Guerra disse...

É verdade linda Gaja Maria :)
Faz-se o melhor que se sabe e por vezes não corre como gostariamos pois existem uma série de factores que ajudam ou, nem por isso... mas há que nunca desistir e dar sempre o melhor de nós para que eles cresçam com valores bons para o futuro, pois eles são o nosso futuro :)

Um beijo super doce xxxx

carla disse...

Paulinha,

sabes que tenho o meu filho mais velho não é filho do meu actual companheiro. E que durante bastante tempo, foi como os teus filhos, não lhe dando o verdadeiro valor. Os atritos eram muitos mesmo. Agora, mais velho, já com mais capacidade de "discernimento", já percebendo melhor como são as coisas, começa a relacionar-se com ele de outra maneira e começo a ver mudanças significativas na sua relação.

Escrevo isto tudo apenas para te confortar e para te dizer que as mentes dos nossos filhos vão amadurecendo. Fica com a esperança que, mesmo que demore um pouco, as coisas melhorem.

Um beijo grande